Sou eu 17 Fevereiro, 2008
Posted by calgirlove in Amarena Eu.Tags: características, eu, eu sou
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Sou um ônibus lotado cor de arco-íris cheio de solidão. Sou famosa desconhecida saudando a todos com um sorriso sem alma, tristinho. Sou tédio. Sou saudade. Sou o lado puro da maldade, o lado confuso da bondade. Sou aventura de cabelos embaraçados. Cabelo estranho. Sou frescor de Armani Mania na pele.
Sou tela, olhando a vida passar pela janela. Sou praticamente informática pura. Sou saídas de escanteio de diálogos sem sentido, conversas míopes de corredores, falas alienadas com a família. Sou menos telefone e mais msn. Sou “blargh” pra quiabo e feijão. Sou alfajor e panqueca (hmmm..). Sou traumas.
Sou retrato em cores vivas, fotos torpes e tontas. Sou canetas, chaveiros, cartões postais e telefônicos. Sou qualquer autor, determinado roteiro, um certo ator. Sou contra filmes no espaço. também contra crises de espirros. Sou planos de futuro, lembranças de passado, vivência do presente.
Sou muito mais você. Sou noite. Sou abraços. Sou carinhosa com coração de pedra. Sou suporte de olhos azuis. Sou “Os Irmãos” na vitrola virtual. Sou pensamentos ruins escondidos, olhar desviado, reclamações com o travesseiro. Sou céu com nuvens fofas, noite com luzes, olhar estrelas. Sou respeito a natureza.
Sou amor intenso. Sou gato carente que pede aninho em colo de dono. Sou minhoca debaixo do chão. Sou felicidade do rever. Sou insegurança de pele e alma. Sou bom senso. Sou bom gosto. Sou anti-mau-caráter. Sou aquilo que você queria, talvez o que sonhou. Sou nada sem você.
A Hora da Estrela (de todos nós…) 17 Fevereiro, 2008
Posted by calgirlove in Obras.Tags: A hora da Estrela, Clarice Lispector, Estrela
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“Essa moça não se conhece senão através de ir vivendo à toa…uma moça numa cidade toda feita contra ela”.
“Não notam sequer que são facilmente substituíveis e que tanto existiriam como não existiriam. Poucas se queixam e ao que eu saiba nenhuma reclama por não saber a quem. Esse quem será que existe?”.
“Nem se dava conta de que vivia numa sociedade técnica onde ela era um parafuso dispensável”.
“Dormia de boca aberta por causa do nariz entupido, dormia exausta, dormia até o nunca”.
“Ela nascera com maus antecedentes e agora parecia uma filha de um não-sei-o-quê com ar de se desculpar por ocupar espaço”.
“Tinha olhar de quem tem uma asa ferida – … olhos que perguntavam”.
“Vive num limbo impessoal, sem alcançar o pior nem o melhor. Ela somente vive, inspirando e expirando, inspirando e expirando. Na verdade – para que mais que isso? O seu viver é ralo”.
“Ela era incompetente. Incompetente para a vida”.
“Ela era de leve como uma idiota, só que não o era. Não sabia que era infeliz”.
“Ela era calada (por não ter o que dizer) mas gostava de ruídos”.
“Não fazia perguntas. Adivinhava que não há respostas. Era lá tola de perguntar? E de receber um “não” na cara? Talvez a pergunta vazia fosse apenas para que um dia alguém não viesse a dizer que ela nem ao menos havia perguntado. Por falta de quem lhe respondesse ela mesma parecia se ter respondido: é assim porque é assim”.
“Vivia em tanta mesmice que de noite não se lembrava do que acontecera de manhã”.
“Todo mundo é um pouco triste e um pouco só”.
“Para que escrevo? E eu sei? Sei não”
Fragmentos de Clarice Lispector.
Atire a primeira pedra quem não se encontra em suas obras.
Este texto é uma reedição. Logo, logo voltarei.